Uma mulher idosa, em uma esteira de academia praticando exercicio físico, com os dizeres: Atividades físicas na terceira idade podem ajudar a preservar o cérebro

Atividades físicas na terceira idade podem ajudar a preservar o cérebro

Data de publicação: 11/06/2019 13:51:00
Categoria: Geriatria e Longevidade

Por Becky Upham

A prática de atividades físicas é indicada para melhorar diversas condições de saúde. Médicos as recomendam para pacientes com diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, depressão e agora também doenças cognitivas. Uma pesquisa publicada na revista Neurology destaca que os exercícios podem proteger o cérebro do desenvolvimento de demência.

De acordo com o estudo, os idosos ativos fisicamente podem desenvolver uma reserva cognitiva ou a capacidade de manter essa função cerebral, mesmo quando o órgão sofre com doenças degenerativas que podem causar lesão ou levar à perda de capacidade intelectual – especialmente enfermidades como Alzheimer.

Mesmo que não haja um tratamento efetivo para o Alzheimer, a manutenção de um estilo de vida que inclui atividades físicas pode retardar alguns dos efeitos da doença. É o que acredita Aron Buchman, coautor da pesquisa e professor de ciências neurológicas no Rush University Medical Center, em Chicago. 

Como foi realizada a pesquisa?
Os estudos começaram em 1997, como parte do Projeto Rush Memory and Aging, com 454 pacientes sem demência conhecida, que concordaram em se submeter a avaliações clínicas anuais e em doar o cérebro para o estudo após a morte. A média de vida do grupo foi de 90 anos.

A observação dos cérebros após a morte permitiu que os especialistas analisassem melhor as mudanças físicas do órgão em relação aos dados coletados ao final da vida dos pacientes. Ainda em vida foram analisadas as capacidades cognitivas e habilidades motoras dos participantes.

Nos testes realizados no cérebro após a morte, foram avaliadas alterações relacionadas ao envelhecimento e ao Alzheimer. Os resultados revelaram que 85% dos pacientes tinham padrões que indicavam esse tipo de demência.

Portanto, os pesquisadores concluíram que a carga de atividades físicas praticada pelas pessoas está associada a uma cognição melhor e menores riscos de demência. Ainda que o cérebro se deteriore com o passar dos anos, e com o adoecimento, a prática de atividades físicas protege as faculdades cognitivas apesar do dano. No entanto, os pesquisadores não sabem determinar as causas do benefício.

Durante os 20 anos de estudo, 191 indivíduos desenvolveram demência e 263 não, o que indica que a proteção contra mudanças degenerativas é válida para pessoas com cognição normal e para aquelas que sofrem de demência, de acordo com Aron Buchman.

Existem outros estudos relacionados?
A pesquisa de Buchman não é a primeira a relacionar a prática de exercícios e o declínio cognitivo. Muitas pesquisas sugerem que a prática de atividades físicas reduz os riscos de demência, porém, as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos alertam que as evidências existentes ainda são inconclusivas e alguns resultados foram misturados.

Sobre a pesquisa apresentada, Buchman explicou que mais estudos são necessários para explorar os benefícios da atividade física para o cérebro.
 “Também pode ser possível que, à medida que as pessoas perdem habilidades de memória e pensamento, reduzam sua atividade física. Mais estudos são necessários para determinar se exercitar-se mais é realmente benéfico para o cérebro ”, explicou.

Mesmo que os resultados da pesquisa não sejam definitivos, especialistas concordam que não há problemas em manter-se fisicamente ativo.

Fonte:
Everyday Health
Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Talita
Designer: Raphael Alpoim
Diretor técnico: Geraldo Majella

  • Gostou? Compartilhe: