Um hamburger e uma porção de batata frita com os dizeres: Quais são os riscos das dietas com baixo valor nutricional?

Quais são os riscos das dietas com baixo valor nutricional?

Data de publicação: 07/06/2019 14:29:00
Categoria: Alimentação e Saúde

Por Don Rauf

Uma alimentação pobre em nutrientes pode apresentar mais ameaça à saúde que fumar, beber e outros fatores relacionados ao risco de morte prematura. Isso é o que indica um estudo realizado sobre as tendências de dieta em todo o mundo, que relacionou dietas ruins a 11 milhões de mortes, em 2017.

Os maiores problemas relacionados à alimentação estão na quantidade de sal consumida e na negligência de frutas e grãos integrais. A pesquisa publicada na revista The Lancet aponta para a contribuição das dietas pobres para o desenvolvimento de doenças cardíacasdiabetes tipo 2 e câncer.

De acordo com o autor do estudo, Ashkan Afshin, professor no Instituto de Métricas de Saúde e Avaliação da Universidade de Washington, em Seattle, os resultados da má alimentação independem de idade, sexo ou contexto socioeconômico – embora a gravidade do problema varie entre países. 

Como foi realizada a pesquisa?
A pesquisa faz parte da Carga Global da Morbidade (GBD, em inglês), que coleta e analisa informações sobre morte prematura e incapacidade causadas por mais de 350 enfermidades, em 195 países. Os dados foram combinados com pesquisas nacionais de nutrição e outras fontes, elencando um público de adultos com 25 anos ou mais, entre 1990 e 2017.

Foram levados em consideração os seguintes fatores da dieta: carência de frutas, vegetais, legumes, grãos integrais, nozes e sementes, leite, fibras, cálcio, ácidos graxos ômega-3 e gorduras poli-insaturadas; e excesso de carne vermelha, carne processada, bebidas adoçadas com açúcar, ácidos graxos trans e sódio.

Os dados foram analisados junto a outros fatores de risco de morte prematura, como hipertensão arterial, tabagismo, consumo de álcool, pouca atividade física e excesso de peso ou obesidade.

Na etapa de classificação, os fatores alimentares se destacaram como os mais importantes para a mortalidade global, causando mais mortes que fatores como o tabagismo, afirma Afshin.

Que tipo de dieta contribui para o risco de morte?
Comer poucos vegetais e muita carne torna a dieta desequilibrada e contribui para o risco de morte, de acordo com o estudo. Deixar de lado alimentos como nozes, sementes e leite também foram problemas encontrados nas dietas globais.

A quantidade de carne processada e bebidas adoçadas com açúcar foram impactantes no estudo, sendo que a primeira alcançava números duas vezes maiores que o aconselhado para consumo. Já o sódio é consumido globalmente em quantidades 86% maiores do que indicado, diariamente, grande parte dele contido em alimentos processados.

Para David Katz, fundador e presidente da True Health Initiative, o consumo de sódio é o maior problema encontrado pela pesquisa. “Nossa tolerância à comida processada pode ser letal”, afirma.

O estudo reforça pesquisas anteriores
Outras pesquisas já indicavam que uma dieta saudável, combinada a um estilo de vida equilibrado e atividades físicas podem reduzir os riscos de doenças crônicas em até 78%. Esses parâmetros são baseados em pessoas que não fumam; não são obesas; mantém exercícios físicos regulares; e adotam uma dieta diversa, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e pouca carne.

"Uma dieta saudável é composta principalmente por vegetais minimamente processados, frutas, grãos integrais, lentilhas, feijão, nozes e sementes e água pura para a sede", diz Katz. "Esses alimentos devem compor a maior parte da dieta, mas se quiser comer alguns ovos, laticínios, peixe e carne, vá em frente", indica.

Dietas como a mediterrânea, a vegetariana e a vegana são consideradas saudáveis, mas os especialistas alertam contra dietas da moda e que prometem rápida perda de peso, que podem apresentar riscos à saúde.

Como melhorar a alimentação?
Apesar das dietas sempre focarem em reduzir o excesso de alimentos não saudáveis, a pesquisa aponta para a necessidade de aumentar o consumo de alimentos saudáveis – o que em alguns países pode ser um problema devido à carência de alimentos, como no Uzbequistão.

"Apesar das limitações, as descobertas atuais do GBD fornecem evidências para mudar o foco, como os autores alegam, da ênfase na restrição alimentar à promoção de componentes alimentares saudáveis", afirma Nita Gandhi Forouhi, professora da Unidade de Epidemiologia do Conselho de Pesquisa Médica da Universidade da Cambridge School of Clinical Medicine, no Reino Unido.

Fonte:
Everyday Health

Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Designer: Raphael Alpoim
Diretor Geral: Geraldo Majella

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