as mãos de um idoso segurando diferentes frascos de medicamentos, com os dizeres: Drogas comuns podem aumentar risco de demência

Drogas comuns podem aumentar risco de demência

Data de publicação: 04/06/2019 14:04:00
Categoria: Geriatria e Longevidade

Por Becky Upham

Novos estudos alertam que medicamentos usados para tratar doenças como depressão, Parkinson e problemas de bexiga podem aumentar os riscos de desenvolvimento de demência. Os dados foram publicados em 2018, na revista The BMJ.

A pesquisa avaliou mais de 40 mil pessoas com demência e mais de 280 mil sem a doença, com 65 anos ou mais. A partir da análise, os pesquisadores descobriram que os pacientes que usavam drogas anticolinérgicas tinham um risco 30% maior de desenvolver demência.

Na opinião do diretor do programa de distúrbios da memória na UNC, na Carolina do Norte, Daniel I. Kaufer, que não está relacionado à pesquisa, esse estudo é um dos mais abrangentes quanto às consequências à longo prazo do uso desse tipo de medicamento.

"Houve um estudo anterior que mostrou que o uso de drogas anticolinérgicas pode aumentar o risco de certos tipos de demência, mas nenhum estudo foi tão abrangente para demonstrar essa grande associação", afirma.

Todos os anticolinérgicos causam risco de demência?
Nem todos os medicamentos anticolinérgicos têm associação com a demência. É o que indica a autora principal do estudo, Kathryn Richardson. De acordo com ela, alguns medicamentos com propriedades anticolinérgicas, como aqueles usados em tratamentos gastrointestinais ou alergias, não têm relação com o aumento nos riscos de demência.

A pesquisadora afirma que mais pesquisas são necessárias. Porém, reforça que os medicamentos que agem diretamente no cérebro apresentam mais riscos que aqueles que atuam no resto do corpo.

Para o diretor do Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer da Clínica Mayo, em Minnesota, Ronald Petersen, existe a possibilidade de que os medicamentos usados para tratar o corpo afetem o cérebro de pacientes idosos.

"Se você tomar um medicamento anticolinérgico, digamos, para o controle da bexiga, ele deve funcionar no perímetro, o que significa que não está passando pela barreira hematoencefálica", diz Petersen. "Em uma pessoa mais velha, pode haver algum contato do medicamento com o cérebro, o que pode ser devastador em termos de função cognitiva”, explica.

Como os anticolinérgicos afetam o cérebro?
Os principais efeitos negativos das drogas anticolinérgicas estão relacionados à supressão da acetilcolina,( https://www.infoescola.com/neurologia/acetilcolina/) um neurotransmissor responsável pela atenção, concentração e memória.

Os medicamentos usados para tratar doenças como o Alzheimer aumentam os níveis desse neurotransmissor. Enquanto isso, as drogas anticolinérgicas bloqueiam a acetilcolina.

De acordo com Kaufer, “a medicação desta classe pode causar efeitos negativos a curto prazo no processo de pensamento, além de ser notória por efeitos colaterais cognitivos adversos, especialmente em idosos”.

Os resultados da pesquisa são definitivos?
Mais pesquisas são necessárias para aprofundar os conhecimentos sobre a relação entre as drogas anticolinérgicas e a demência.
"Embora fortes associações tenham sido encontradas, mais estudos serão necessários para apoiar estes resultados", diz o professor sênior em farmácia clínica na Universidade de Aston, na Inglaterra, Ian Maidment, que está envolvido em outras pesquisas.

Enquanto isso, o autor do estudo, Dr. Richardson, indica que a relação entre esses medicamentos e a demência podem ter particularidades causais da medicação e explicações variáveis. É possível que médicos tenham receitado essas drogas a pacientes com sintomas precoces de demência, com depressão ou problemas de incontinência urinária, explica.

É importante reforçar que os tratamentos prescritos devem ser continuados e que as dúvidas e preocupações devem ser discutidas com o médico antes de qualquer interrupção.

E quanto a outras drogas anticolinérgicas?
O estudo abrangeu apenas as drogas anticolinérgicas prescritas. Porém, algumas podem ser usadas sem indicação médica, como as pílulas para dormir sem receita. Um exemplo são as que contém difenidramina em sua composição.

De acordo com os especialistas, esses medicamentos têm propriedades anticolinérgicas e podem causar riscos, especialmente para pacientes idosos. E, por isso, ressaltam os riscos e a contraindicação da automedicação.

Fonte:

Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Designer: Raphael Alpoim
Diretor Geral: Geraldo Majella

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