Uma marmita com alimentos da dieta Cetogênica com os dizeres: Já ouviu falar da dieta cetogênica? Saiba o é e como funciona

Já ouviu falar da dieta cetogênica? Saiba o é e como funciona

Data de publicação: 11/04/2019 14:31:00
Categoria: Alimentação e Nutrição

Por Erin Palinski-Wade

Alto teor de gordura e pouquíssimos carboidratos são a base da dieta Keto, ou cetogênica, voltada para a perda de peso e melhorias no desempenho atlético. Essa dieta promete até mesmo baixar os níveis de açúcar do sangue de pacientes com diabetes tipo 2, acelerar a perda de peso e, sobretudo, não deixar seus praticantes com fome.

Os carboidratos consumidos são transformados em glicose no organismo, que é levada pelo sangue até as células e usada como fonte de energia. O objetivo da dieta cetogênica é fazer com que a glicose não seja a principal fonte de energia do corpo, mas sim a gordura corporal.

A base da dieta cetogênica é retirar do corpo as fontes de carboidrato, forçando-o a utilizar o estoque do tecido adiposo como recurso energético, maximizando a perda de peso.

O nome dessa dieta vem do processo de obtenção de energia a partir da quebra de gordura no fígado, gerando cetona, que é então utilizada para alimentar o corpo no lugar da glicose. Esse processo metabólico é chamado de cetose.

Para que a dieta funcione, é necessário reduzir drasticamente a quantidade de carboidratos ingerida. Na dieta cetogênica clássica, originalmente usada no tratamento de distúrbios convulsivos, apenas 5% a 10% da energia do corpo vem do carboidrato, 5% a 15% de proteína e 80% a 90% de gordura.

Enquanto isso, em uma alimentação regular, homens e mulheres tendem a consumir cerca de 50% das calorias em forma de carboidratos. Modificada para o emagrecimento e melhorias no desempenho atlético, a dieta cetogênica permite o consumo de proteína de forma mais liberal – de 20% a 30% de suas calorias totais – mantendo apenas a restrição aos carboidratos.

A presença de cetona na urina é uma forma de aferir se o organismo está em estado de cetose, ou seja, queimando o estoque de gordura para gerar energia. Porém, pessoas que não seguem a dieta cetogênica devem ficar atentas: a presença de cetona na urina pode indicar cetoacidose diabética.

Essa condição indica ausência, insuficiência ou resistência à insulina, o que impede o corpo de usar a glicose como fonte de energia. A partir daí, o estado de cetose pode fazer com que o sangue da pessoa com diabetes torne-se mais ácido, devido ao acúmulo de cetonas, uma condição potencialmente fatal e que deve ser tratada imediatamente.

No início da dieta, é possível que um dos efeitos colaterais seja a “ceto-gripe”, fruto das tentativas do corpo de se ajustar à nova dieta, pobre em carboidratos, além da utilização da cetona como fonte de energia. Os sintomas são fadiga, dores de cabeça, tontura, problemas de sono, palpitações cardíacas, cãibras e diarreia. Esses sinais tendem a desaparecer em até duas semanas, e optar por uma transição mais lenta para a dieta keto pode ajudar a reduzir esses sintomas.

Constipação e diarreia também não são incomuns nessa dieta, principalmente quando não se ingere verduras e frutas suficientes – que são fontes de fibras. É importante que, durante a realização desse tipo de dieta, nenhum grupo de alimentos seja eliminado por completo, já que isso também pode causar deficiências nutricionais.

"As dietas cetogênicas são frequentemente pobres em cálcio, vitamina D, potássio, magnésio e ácido fólico, que com o tempo pode levar a deficiências nutricionais se a dieta não for planejada com cuidado", acrescenta a nutricionista esportiva, Marie Spano.

O foco nas gorduras animais também pode render problemas cardíacos, alerta Spano. "Esta dieta não é para pessoas que apresentam o risco de desenvolver doenças cardiovasculares ou que já tenham sido diagnosticadas com ela".

Para os diabéticos, a redução drástica dos níveis de açúcar no sangue também pode ocasionar sérios problemas. É importante que profissionais de saúde acompanhem a dieta para avaliar a necessidade de alterações na dosagem de medicamentos para diabetes, por exemplo.

Vale ressaltar que antes de adotar qualquer dieta, principalmente as restritivas, é importante consultar um médico ou nutricionista para avaliar as condições de saúde.

A dieta keto traz benefícios aos atletas, que podem melhorar seu desempenho, sobretudo em atividades de resistência, já que o corpo passa a depender menos de reabastecimento de carboidratos. Para aqueles que desejam a perda de peso, essa dieta pode reduzir o apetite, acelerando o processo de emagrecimento.

Porém, é importante lembrar que o objetivo da dieta é uma reeducação alimentar, que deve ser apoiada por um estilo de vida saudável, com exercícios físicos, e uma alimentação balanceada. Por ser rigorosa, a dieta cetogênica pode levar ao efeito sanfona, caso a pessoa não seja capaz de cumpri-la conforme estabelecido.

Alimentos ricos em gordura, como abacate, nozes e sementes podem ser opções saudáveis para a realização da dieta keto. Há restrições a frutas, com exceções como o abacate, mas os vegetais, como as folhas verdes, brócolis, couve-flor, repolho, cebola e cogumelos devem se tornar produtos básicos da dieta.

Já na categoria das proteínas, peixes, aves e carnes vermelhas podem ser incluídos na alimentação. Laticínios, ovos e queijos também são bem-vindos.

Alimentos processados como biscoitos, salgadinhos de milho e batatas fritas devem ser retirados da dieta. Junto com eles, doces, achocolatado em pó e bolo. Produtos utilizados na culinária cotidiana do brasileiro, como pão, macarrão, arroz e quinoa também estão na lista de restrições da keto. Ainda, frutas com alto teor de carboidratos, como melão e frutas tropicais não fazem parte desse plano nutricional. 

Fonte:

Tradutora e Redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Designer: Raphael Alpoim
Diretor Geral: Geraldo Majella

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