Criança com a mão ao redor do ouvido tentando melhorar sua audição

Deficiência auditiva pode estar relacionada a idade e doenças como a sífilis

Data de publicação: 10/11/2018 00:00:00
Categoria: Calendário da Saúde
10 – Novembro: Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez
No dia 10 de novembro, o Brasil comemora o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, condição que afeta cerca de 28 milhões de brasileiros, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2010, dados do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE) informavam que pelo menos 9,7 milhões de pessoas no país declararam ter algum tipo de dificuldade de audição.

Além das pessoas que nascem sem a capacidade auditiva, ou apenas com parte dela, existem os casos de perda de audição ao longo da vida, causada pela idade, por doenças ou exposição excessiva a ruídos, entre outras causas. Existem vários níveis de deficiência auditiva, e são considerados surdos as pessoas com deficiência profunda ou cofose – a ausência completa de audição.

O que causa a surdez?
As razões são variadas e os níveis de perda auditiva também. As duas principais causas são a perda condutiva e a neurossensorial de audição, que dizem respeito à parte do sistema auditivo que deixa de funcionar. A primeira ocorre quando há bloqueio na transmissão do som, como nos casos em que há acumulo de cera no ouvido, ou ferimentos no tímpano. Essa condição pode ser tratada com medicamentos ou cirurgia.

Já a perda auditiva neurossensorial se dá quando há falhas no nervo auditivo e as ondas sonoras não chegam ao cérebro. As causas para esse tipo de surdez podem ser diversas, como viroses, meningites, uso de certos medicamentos ou drogas, propensão genética, exposição ao ruído de alta intensidade, traumas na cabeça, defeitos congênitos, alergias, problemas metabólicos e tumores.

Outras possíveis causas para a surdez são: a presença de casos de surdez na família, o nascimento prematuro ou o baixo peso ao nascer, o uso de antibióticos tóxicos ao ouvido e de diuréticos, ainda no berçário, e as infecções congênitas, principalmente, sífilis, toxoplasmose e rubéola.

Evitar passar muitas horas com fones de ouvido ou exposto a ruídos intensos é importante para a preservação da audição. O barulho constante de secadores de cabelo, liquidificadores, trânsito e maquinário pesado pode prejudicar gradualmente o aparelho auditivo. Nesses casos, é importante usar protetores nos ouvidos, para evitar danos.

Outro risco que pode ser evitado são as lesões por introdução de objetos nos ouvidos, como palitos, hastes, canetas e até mesmo grampos. Esses objetos podem causar danos graves aos tímpanos e outras partes do sistema auditivo.

Exames audiológicos anuais são indicados principalmente para quem está exposto a ruídos intensos no local de trabalho. Mas, se a TV só é compreensível em volumes altos, se é difícil identificar de onde vem os sons, ou compreender conversas com ruídos ao fundo, também é recomendável buscar ajuda médica para avaliar a audição.

O teste da orelhinha, ou Triagem Auditiva Neonatal, é realizado entre o segundo e o terceiro dia de vida do bebê, e consiste em exames que podem detectar possíveis alterações auditivas. Caso seja identificado anormalidades, exames mais complexos são realizados, para que os pais e os médicos possam tomar providências para garantir o desenvolvimento de outras capacidades da criança, como a de fala. É preciso estar atento aos pequenos, já que o atraso no desenvolvimento da fala também pode ser um indicador de problemas de audição.

Além disso, o pré-natal é essencial para garantir a saúde auditiva do bebê, já que doenças como sífilis, rubéola e toxoplasmose podem provocar a surdez nas crianças. As mulheres devem tomar a vacina contra a rubéola antes da adolescência, para que durante a gravidez estejam protegidas contra a doença.

A audição é um dos sentidos que nos permite experimentar o mundo, mas não é a única ferramenta que temos para interpretar o que acontece ao nosso redor. Você sabia que, mesmo sem ouvir, os surdos também podem falar? As pessoas que não contam com a audição podem usar tanto da fala quanto da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para se comunicarem.

Surdos oralizados podem falar e ler lábios em uma conversa. Isso acontece porque perderam a audição quando já haviam aprendido a falar, ou porque foram educados por meio da oralização. Já os que usam a LIBRAS operam uma linguagem com sinais correspondentes às palavras. O vocabulário da língua de sinais não é universal e existem pelo menos 200 códigos de sinais diferentes no mundo.

Oralizados ou sinalizados, os surdos podem compreender o mundo ao seu redor e, para falar com eles, algumas dicas podem facilitar a comunicação: fale devagar, de frente para o seu interlocutor. Não grite, fale mais alto apenas se solicitado. Além disso, mantenha as expressões faciais coerentes com o que pretende expressar. Com paciência e boa vontade, todos podem se entender.

Fontes

Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Designer: Raphael Alpoim
Diretor técnico: Geraldo Majella


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